Sunday, February 15, 2015

Poesia do Fracasso e do Sucesso

Corri atrás de mim como corri atrás de vida
Dei voltas e cheguei logo a mim mesmo
Insatisfeito corri atrás de mim por rota vista
Em voltas cheguei logo a mim mesmo

Entreguei a mim mesmo a vida que carregava
E atirei para longe a desfazer
Corri novamente atrás de mim, me aturava
Me atirei para longe a desfazer

Corri atrás de mim como corri atrás de vida
Encontrei podridão e vergonha
Corri por todo canto de rotas vindas
Encontrei tudo, menos a mim mesmo

Olhei, focado e fundo, através de minhas costas
Ajoelhei-me, chorando, aceitei minha sentença
Do meu ódio me desfiz, e também da dor chorosa
Levantei-me, triste, e aceitei minha sentença

Toquei ao alcance do que antes não alcançava
Virei a mim mesmo, abracei a mim mesmo
Me tornei um só comigo e nem disfarçava
Virei eu mesmo, abracei a mim mesmo

Olhei ao redor, tanto tempo passado,
Quis fazer tudo aquilo que nunca havia feito
Não há mais tempo, o tempo não ficou congelado
Não posso fazer aquilo que nunca havia feito

Quis voltar a correr em círculos ao contrário
Difícil mudar tão persistente comportamento
Me forcei a pensar, como um tolo canário
Difícil mudar tão persistente comportamento

Olhei ao redor, olhei ao redor, olhei ao redor
Bela vista, distante e pacífica
Mirei, sonhei, fazer algo novo, perfeito
Chegar ao belo, tão distante, tão pacífico

Meu fracasso, meu sucesso
Tão perto e tão longe
Meu sucesso, meu fracasso
Tão perto e tão longe.

Saturday, January 03, 2015

Aos Amigos nas Sombras

Deito na cama e apago a luz
De madrugas e sozinho
As sombras dançam nas paredes em frente aos meus olhos
Acendo as luzes e tentam se esconder sem sucesso
Um frio percorre a minha espinha
Lhes agradeço por terem vindo

Dirijo o carro no meio da estrada
À noite e sozinho
Um espírito vem de carona, no banco de trás
Ou ao lado
Um frio percorre a minha espinha
Lhe agradeço por ter vindo

Deito na cama e alguém me perturba o sono
Ao lado da cama me prende em meus sonhos
Me debato incansável até quebrar o meu sonho
Ele foge dali assim que pode
Lhe agradeço por ter vindo

Estou no quarto e é escuro, sinto a luz verde no ar
Lá vem minha abdução, eu sinto chegar
Lhes peço para que não me levem, e acatam
Agradeço por terem vindo. Agradeço por não terem me levado.

Agradeço aos acompanhantes da minha solidão.
Ladrões, extraterrestres, espíritos e sombras.
Me acompanham e não me deixam sozinho
Lhes agradeço por tudo

O barulho no quintal fácil indica
Que o ladrão pulou o muro e vai entrar
Ele mantém-se silencioso e imóvel
Raramente ouço as folhas farfalhar
Ele desiste de entrar em minha casa
Lhe agradeço por ter vindo

Porque me lembram que a voz que me diz que eu sou nada
Tem o meu tom
O meu volume
E fala de dentro da minha cabeça
E com força  estrondosa
Mas também me lembram
Essa voz não é minha

E aos meus colegas silenciosos, minha eterna gratidão
Aos caminhantes das sombras, minha simpatia
Por me mostrarem toda vez que eu ouço essa voz
Que essa voz não é minha

Wednesday, September 10, 2014

Torre

Eu sou a luz dos seus feitos
Eu sou bonito, você feio
Dos ladrões, sou criado
Por você enviado

Eu sou a glória da sua guerra
Eu sou a jóia sem terra
Você general que permeia
Você vence a guerra inteira

Eu sou a vitória que não te deram
Eu sou o reconhecimento da fera
Sua inteligência, sua força,
Seu equilíbrio, sem torça

Sua dor juvenil,
Seus anseios rivais,
Seu argumento imbecil,
Suas raivas desiguais

Sua boca tão suja
A sua humilhante troça
A sua raiva impura
Escondida à força

Sou tudo que você quis ser
Melhor, firme e impróprio
Nada em mim há de perecer
Grande, infeliz e ótimo

Eu sou a guerra que não pode vencer
Eu sou a dor que não vai morrer
Eu sou a fera, a bela e a morte
Eu sou a dor, o azar e a sorte

Eu sou tudo o que você quis ser
Eu sou tudo que você odeia em mim
Eu sou tudo que poderias querer
Eu sou tudo que não permito assim

Eu sou forte, morrendo e aguado
Túrin, Sauron e pato,
De tudo que poderia aprender
Só não aprendi a viver

Das facas, um grande inchaço
De choro, seco e impávido
E se você não puder melhorar
Eu vou parar de tentar

Eu torreio, grande, incapaz,
Mato os dragões, a guerra atrás
Por fim, a morte me chama
Por sempre a dor que me clama

Sua voz de serpente,
Raiva indiferente
Meu amor descontente
Minha fuga indecente

A subida incólume,
A queda inevitável
Nada rima com incólume
Nem com inevitável

Desce desce, desce, desce
Sobe, sobe, sobe
Desce, desce, desce, desce
Sobe

Soberba indiferença de mim
Seu maior amor de todos os tempos
Viverás bem assim

Pois eu vou viver,
Desigual, torto e não reto
Eu vou sobreviver,
Desigual, torto e reto

Ai, ai, ai, ai
Não seria bom se não rimasse com vai.

Friday, February 21, 2014

Algo Maior


Por vezes, não há cura no amor, nem na conversa, nem na amizade.

Não há gosto no café, na cerveja, na droga ou na cidade;

Não há verdade iluminadora, não há fé, e nem há dor.

Temos que ser o que somos, mas não obrigatoriamente temos que saber o que somos.

Há de se perdoar, mesmo que o crime seja imperdoável; há de se sustentar, mesmo que o dinheiro seja escasso; há de se amar, mesmo se for escroto.

Quem está a meio caminho da liberdade, ainda é escravo. Quem está a meio caminho de viver, continua morto. Quem está a meio caminho de sonhar, continua acordado.

Estar na metade do caminho para o mundo, significa ainda não ter saído do lugar. Apostar na loteria não significa ganhar.

Quem engatinha quase caminha, mas não chega a nenhum lugar.

Quem deixa o rabo arrastando, preso à porta há de ficar.

Monday, September 30, 2013

Inferior

Sempre menor, sempre pior
Sempre atrás de alguém com certeza
Sempre ruim, rejeitado, mal amado
Culpa de reagir com clareza

Menos pior, muito menos pior
Todas as vezes que se age obediente 
Sem sol, sempre alguém melhor 
Bate cedo para ganhar expediente

Sempre pior, mesmo quando melhor
Sempre pior, mesmo quando pior
Sempre assassino, mesmo quando inocente 
Sempre cretino, mesmo quando decente

Sempre pior, pior que você
Sempre pior, pior que a mim mesmo
Sempre pior, mesmo se não se vê
Sempre pior, mesmo usando cabresto 

Sempre sem pódio, mesmo de taça na mão 
Sempre sem ódio, mesmo com azul coração
Sempre tristeza, mesmo com nobre lição
Sempre promessa, sempre decepção

Sempre cansado de não ser a mim mesmo
Então rejeitado por não ser a mim mesmo
Aí então cansado de brigar por mim mesmo
E contrariado de mim mesmo ter medo

Então revoltado de ser tudo tão mesmo
De olho cerrado de perder de mim mesmo
Decepcionado por sombra de mim mesmo
Redirecionado da voz de meu ego

Então massacrado por dor desespero
Aos corvos jogado por morte e desejo 
Feliz de minha culpa, minha cena, meus medos
De fazer final parte da história que mereço

Por fim agonia, de sorriso no rosto
Por ter te escutado, jazo no fim do poço
Por acreditar em tudo que me fez
Foi alegria não pranto, exceto talvez

De tudo que me destes, quase nada aproveitei
De tudo que me jogastes, inútil me tornei
Se sou tudo que tu és, tão desprezível que sei
Esfrego em tua cara, sou melhor e eu sei

Se não queimo em luz, então desapareço
Se não aprendo por luz, joguem-me as sombras sem medo
E se teu reino não é meu então agradeço
Me vou bem agora não perco mais tempo

Pois cresci nas sombras que você me jogou
Cresci na tristeza que você ignorou
Cresci na maldade que você negou que tinha 
Cresci esquecendo que essa vida era minha

E se tudo que eu queria era que você me aceitasse
Espero desistir agora de tão burro impasse
E que eu me deixe partir feliz de mim mesmo
Eu que vem de ti, do flagrante desprezo

E queimar, queimar, queimar, queimar
Jogar luz na sombra e cinza virar
Jogar dor de novo e purificar
E acordar no fogo, em outro lugar

Sunday, August 25, 2013

Aposta

Nunca apostei. "Teima, mas não aposta".

E agora não tem jeito. Agora tem que ir. Agora, pela primeira vez na vida, entro consciente de que posso perder em uma decisão que eu mesmo tomei. 

Como tremem as penas. 

Isso é muito bom. 

Sunday, July 28, 2013

A Matter of Life or Death

Hunger for life more eagerly than ever

Friday, May 31, 2013

All Apologies

Sorry for all the promises I broke,
You should be the one I love the most,
Sorry for having gone and not stayed,
I left you out in the cold, frayed

Sorry for the times I forgot you were mine,
Sorry for the times I should have loved you
Sorry for keeping you second in line
I'd promised next time it'd be you

Sorry for promising you all,
Including your happiness first,
Sorry for letting you down,
For breaking your happiness first

I'd walk outside first in the morning
Feel the sunrays shine above my head
Then start to feel the sorrow and mourning
Start wishing myself to be dead

I'm screaming for all apologies from you,
I'm dying for all apologies from you,
I'm waiting for all apologies to myself.
I'm the one who almost got killed

Ir

Se eu não for
Serei apenas o que já sou

Sunday, March 10, 2013

Primavera

É fácil amar quando se ama a vida,
É fácil amar no escuro a luz,
Para quem há o desespero,
A fuga rápida seduz.
Para quem pranteia por desejo,
Para quem ama, e quer viver,
Para quem não vive, nem o ensejo
De sanar-se sem morrer

É fácil amar quando se ama a vida,
Mas não a vida de árvore ida
De ser todo tronco relvado
Não oco, mas parado
Sem errar, nem aprender,
Só ganhar, sem perder.

É fácil amar quando se ama a luz,
É fácil amar quem te completa
Se a outra face em ti reluz
O amor tão fácil se decreta.
Difícil mesmo virar-se a ti
Completar-se próprio
Só de dor repleta

É fácil amar quando se ama a luz,
Porque a luz nos cega, cega, cega
É fácil amar se te reluz
Confortável, doce, completa
E desespero forte tanto acalenta
Quanto dor, morte, que tanto isenta.
Pra que ser então pessoa sincera
Se a luz que bate se reitera
Quando então tu se inteira
Apaga a luz pra primavera.

Title Post

Percebi que as melhores músicas são feitas do ponto de vista de quem está perdido.
E os melhores poemas também.

E aí eu pensei que isso poderia ser somente para alguém imaturo. Mas não é. Isso acontece para quem está vivo.

E não está vivo alguém que está sempre certo.
Nem quem nunca erra.

"Well, I really wanna see you again 
I miss my lover, I miss my best friend  
With you, baby, right here, by my side  
With you girl, I'm gonna be all right
 
Then, they'd write a book someday  

'Bout the boy, who'd always strayed  
Girl, who took the fog away 
Man, if it could be that way

I would come without delay  
Smile on my face 
I would not be lost for long  
You could be my title song"


https://www.youtube.com/watch?v=SA4FjSzYSrg

Monday, August 13, 2012

Fogo

Fogo sine qua non força
Força sine qua non mudança
Sine qua, sine qua,
Sine qua non nossa lembrança

Pois somos frutos de um mesmo pomar...
Em uma mesma fazenda.

Wednesday, July 04, 2012

Monstrous

It's such a big monstrosity
Known for it's thinking inability
Its eyes are blind, its legs are morbid
Stumbling upon our reasons gullibility

Its so powerful, it's dangerous
Released from the tie it's strung the most
I was taught to fight this war for centuries
Regret the ones we cannot trust

To hold this beast, it's nigh impossible
To face it boldly is a cry for death
To hold the horses is to be a coward
Among the cowards' weary breath

To win a fight, and lose a thousand
No scream or bribaries laid
For peace and justice were held hostage
Their feeling lost among decay

Stumbling upon us as we lay
Stumbling upon us day by day


I still can't face the very way
That all of us live this life
It sounds too bad it may
An anger sound

So hateful is it monster
Hate it, hate it, hate it,
Before it's too late we have to hate
So soon enough we'll know to face it

And die a heroic death
Rather than living down on knees.



"Preferimos desviar, preferimos não enfrentar, preferimos
enfrentar o que é mais fácil, preferimos não combater,
preferimos aceitar, preferimos nossa vida, nem que
seja uma vida sem sentido, sem vida, sem alegr-
ia, sem vontade, mas ainda vivos, com nossa
alegria, que se esvai dia a dia, que nos to-
ma a depressão, e a falta de energia, e
cada vez menos escrevemos menos,
e a cada dia lutamos menos, e a
cada vez mais aceitamos, o c-
ão que nos guia, nos mata,
nos tira as palavras que

nós mesmos nos faz-
emos não dizer qu-
ando temos tudo
para falar tudo
o que bem
querem-
os e d-
eve-
m-
o
s
Po
is a
cada -
instante
podemos
recuperar
nossa força
e enfrentar m-
ais um dia e rec-
uperarmos outra vez
nossa capacidade de fal-
ar o que podemos, passo a
passo, sem medo do que está
em volta de nós, sem medo do q-
ue está dentro de nós, sem medo da
vontade de combater novamente, da ira
que nos preenche a cada dia! pois temos que
e vamos combater, cada dia mais, o monstro que
nos fascina, que nos mata, que sem guia continua
batendo forte na cabeça de cada um de nos, e sem limitarmos nossas palavras, sem limitarmos nossas forças, sem limitarmos nem criarmos nossas próprias barreiras; e levantar, e enfrentar, e combater; e a revolta deve ser liberada, e o atual virar antigo, e queimar o que nos mata, deter o que nos detêm, assasinar o que nos explora, destruir o que nos destrói, matar o que nos mata. Porque morremos todos os dias. Você pode virar a cara e pensar que está tudo bem, mas não está. Se revolte. Se arme. E vamos matar tudo aquilo que nos mata."

Tuesday, November 08, 2011

Compulsive Repulsive

You keep on casting shadows on my wall
I keep on dancing while I crawl
You keep on casting shadows on my wall
I keep on dancing while I crawl


Will I let this evil keep corrupting me
Open up your eyes and see
You just keep taking me up and down
Don't push my head to drown

You keep on casting shadows on my wall
I see their faces going darker all around
You just jeep laughing when I fall
I feel their touches colder all in all

I will let this evil keep corrupting me
Close my eyes and see all you brought to me
Till I find a less disgusting me
When I find you are wrong and bleed

You keep on casting shadows on my wall
I see their shadows' darker trawl
You keep pushing my head down
You keep pushing till I drown

You keep on casting shadows on my wall
I keep on dancing while I crawl
You keep on casting shadows on my wall
I'll face the evil all in all

Monday, June 13, 2011

Silent Still

Watch me here and there
You won't see me while I run scared
I'll hide it better than anyone else
I'll hide it well

Despite my will
I'm silent still
Inside this tomb
This deadly womb

Watch me here, and there,
I'm running scared
Despite my will
I'm silent still

Monday, May 02, 2011

Collision

There are two worlds far apart
Sitting side by side within my mind
Carefully surrounding each other
Careful not to touch each other

There are two worlds too close
One of them has almost froze
The other one's too hot too touch
A grasp in heart is strong too clutch

Heaven and hell it's all the same
Each are much to wane
Close before it's reached your fame
For both are judgeful to blame

Two worlds there, not far apart
Driven by each other's light
Until they finally find what's left inside
Will hope they both be there, survive

Clutching out each other's heart
Find it burning deep inside
It's getting dark and dark
Soon enough both worlds collide

It's getting closer and closer
It's time we face our Armageddon
It's getting closer and closer
It's time to face my Armageddon

Sunday, March 27, 2011

Save Me

Desperation is lurking around me, whispering words into my head,
I wish it stopped whispering to me like if I was dead
For God's sake help me get out of this prison I've set myself into
Inside me a golden riot which I'll never get in through

Hovering the deep space of my empty head, I'm growing sad
Images are rapidly changing and it seems I have just bled
The weaknesses are inside me for who I am
It seems that all my energy has waned

I feel cold when I cry out for the dark

Atrasado

E já começou 2011, e não postei nada. Nada.


Que 2011 seja um ano claro.

Se houver sobrevivência, haverá força.

Sunday, December 26, 2010

You Really Got Me

Put an end to whatever it was, let it go
I was cruel enough, hence I'll forget
Cause it was still good enough for me and you
For that gray-matter has bubbled and het

For I'm no saint, I'm no sinner
I'm no horrid winged creature
And I'm surely not a winner
I'm no blackened ghostly vulture

Losing you is what I needed
I just needed a bad memory
But you were cruel enough not to give me one
And so I remain

This is so a goodbye
To remember not thinking about you!
(And for that matter, think I'm not a loser
I'm just thinking about you)

Wednesday, December 15, 2010

Winged Destiny

Spread out the words and see me blacken
It's not the one you knew before,
My blacked wings will make me soar
This darkened winds will get me saddened

Looking out at the mirror
See the redness of my eyes
Feel their redness high
See through their horror

I feel it getting darker, no mood is getting calmer
The night has crept in nigher,
Inside the heart I did not feel

Let this anger burn deeper
Let this pride die dumber
Oil to my soul
Can't get weaker so

It's the weakest that you see