Saturday, January 19, 2008

Greenpeacen

Halt, All Greenpeacers!
For you shall witness the souls' encumbrance!
Your bleeding hearts shall stop their mourning
And your sacred ways will weaken your burdens!

For We are Greenpeacers!
And Honoured are our ways!
When Decay has fallen upon the lands
Thou shalt remember of our journeys
And all the things that we have said!
And then, the weak shall fall
But the strong ones will remain!
For We Are Greenpeacers
And we're the ones who'll stay!

So, Now must You greenpeace yourselves!
When still not all have been slain!
And greenpeace your world
So all that's pure and green shall move the stones
That have been in our ways
Greenpeace the world
Greenpeace your day!

Tuesday, January 08, 2008

Crimson Sky

When you are here
You make me clear
I thought I'd hear
Your lips in fear

I wasn't wrong
And I was then
Trying to speak
I was dubbed unman

Could you hear for a second
Everything I don't know?
Maybe then it would glow

Even though I could sit
And listen to your voice again
It makes me calmer
It's like a summer rain
But I couldn't maybe
Maybe I shouldn't maybe
It's not just desperation baby
I guess it's just the deadly rain
I wish I had began
Another frail game
But nothing's like it seems
It's just a roamer's dream
To take some cup of gim
And swallow down the wall
To crawl and drawl the
Senseless words
I wish I could hear the clouds
And stop their scream
Redundant scream
A dreamer's dream

It would be easier to smoke a gun
In a railroad full of dust
Inside a crazy train's suicidal desire
Hey, I don't create the stories
They just come inside my mind
Hear me then I wish to say
I'd like to see you again
So soon and still then
I'll beg for mercy
Heaven's mercy
Hear the clouds they're speaking
They're speaking loud
Come around
Sing me a song
That can't be sung
It could be Beatles
Maybe Lucy in the Sky
I'd like to hear
The maniac's desire
Ah, so soft!
A cloud aloft
Won't make much rain

Grasp me in the air then!
Tell me all over again
What would you like me to say?
Can't tell no lie, Can't try
Can't deny I've been bad,
So, hell, you do what you want
Can't stop thinking
I want to say some words
But still I'm weak
What can I do
I'm not good for you
Maybe one day I will be
Someone might tell me
That Summer's blossom's gone
And Winter's Grace has come
That in the coldness of the hearts
I may find my time
And place and way and maybe then
I'll be happier
Maybe all the stars will have fallen
And I'll finally be free
I wish you could read
This and so much more
I think I ....
It won't leave my mouth
So let me say goodbye
Come to me if you can
It's all I 'd like to say
Winter or Summer or Spring or Fall
Disgrace's fall
Let me rise
Could you tell me then
If the Spring's Flowers have arisen?
If not I shall request
That you keep an eye out
I'll try to do it right
If I can't give you a star
I'll try to show you light

My light won't glow Wintersnow
Stop pretending and fuck the show
I'll try to blow my mind
Ah, ah
Crimson Sky

Sunday, January 06, 2008

Commoners' Railroad

Eu queria dizer três palavras.
Mas o que posso falar é que dói.


Ah, a dor, que eu não sentia há muito tempo, que talvez deveria ser sentida, que chega agora a mim como uma onda. É estranho como a dor funciona.
Eu comi demais hoje, talvez isso esteja ajudando o fato, mas não é bom.
Gostaria de poder dizer, gostaria de poder falar, gostaria de ser forte.



Commoners' railroad
The crimson skies
Commoners' railroad
The crimson skies
Wish I hadn't thought
About thinking
Wish I hadn't done
What I did
Examplifying the arcanum
It's easier to smoke a gun
I thought I wouldn't mind
But now I'm falling


Fall.

Wednesday, January 02, 2008

Dois Mil e Oito Parte 1

Nuvens; O Sol; Sombras;




Toda sombra precisa de luz para ser criada.

Abre os olhos e olha pela janela. Abre o vidro e vê as Nuvens, seus desenhos e suas formas. Olha as Sombras no chão, e queima-te no Sol.
A vida é bonita. A vida é bonita pelo fato de sermos belos, e isso não significa que somos capas de revista. Significa que podemos nos criar belos, pela alma, pela verdade, pela confiança, pela autenticidade.
Somos belos porque somos vivos. Porque vivemos. Porque há um conjunto de veias que segue até a ponta de nossos dedos, e vai até o cérebro. E isso é um conjunto perfeito. É simplesmente perfeito como funcionamos.

Natureza.

Cada coisa na natureza tem seu encaixe perfeito. Alguns diriam que isso é obra de Deus. Estariam eles errados?
Outros diriam que é fruto da evolução, mas por um momento eu penso que é deífico mesmo. Eu concordo sim que a evolução poderia causar esse ajuntamento perfeito. Mas o fato de que tudo segue para o equilíbrio, de que o equilíbrio existe de fato. Isso sim, isso é obra de Deus. Ou da Energia. Ou de algo além do que podemos compreender com totalidade.

E é energia. E estamos seguindo para o fim. Que nós mesmos criamos.

Dois Mil e Oito.
Já passou da hora de mudarmos velhos conceitos, e velhos hábitos. O mundo não está aguentando essa raça invasora chamada humanidade.
Faça o que pode. Ou nós mudamos o que fazemos ou o mundo...


(O aquecimento global, que atinge o planeta desde o fim do século XX, é o mais longo e mais intenso registrado nos últimos 1,2 mil anos)


(ONU (Organização das Nações Unidas) incluiu os recifes do Caribe entre monumentos naturais e culturais ameaçados pela mudança global do clima)

(Clima afeta severamente a fauna do Reino Unido)



Tudo clichê demais. E infelizmente, nada tem mudado.


Feliz ano novo. Feliz lutas novas. E que nós consigamos vencer as antigas.

Saturday, December 29, 2007

Depressão de Fim de Ano

Segura meu coração com uma mão, com a outra me abraça... Com outra vez a volta e meia...
Ah, triste? Não é triste. É apenas a rotação dos chakras que está mais lenta devido ao que comi.

Live, ...
Ah, amor, não cante.

Quero sentar sob uma árvore, a luz brilhando sobre, e essa sensação de que o tempo não corre e que temos a eternidade.

Nós temos a eternidade. Não me deixe envelhecer antes da hora.

Deixa-me queimar?

(Deixa?)



Eu queria ver-te a ti mesma. Eu queria me ver.
Eu queria, por favor, não ter as certezas que eu tenho. Eu queria que as perguntas não implorassem por respostas.

Eu queria que tudo que é, fosse. E que não houvessem perguntas, nem livros. Apenas a aceitação.


Ah, me conta então, por favor, um poema
do florescer de uma noite de verão

Friday, December 28, 2007

Corações de Plástico II

E você acha que encontrou o amor
Não, você não encontrou
O amor não vem tão rápido
A felicidade não vem tão fácil

Nem que todos os sorrisos se encontrem
E sejam recíprocos
O amor não vem tão rápido, Aquém
De seu equívoco

E você se esconde em risadas
E seus crimes ecoam
E você se deixa levar pela balada
De Lúthien? Que menos doam

O amor não vem tão fácil
A felicidade não vem tão rápida
Seus lampejos do paraíso te enganam
E escondem a lágrima ácida

O amor não vem tão rápido
Não, não
O amor não vem tão rápido
Pode parar de se enganar.

Thursday, December 06, 2007

A Summer Night Blossom Tale

Handcuffed
Actors in a theatre, in a room
Desperation?
No, no signs of gloom
If it's true? Abominations
Are real if you believe in your
Allucinations

Actors in a room
Shaking hands like friends
Actors in this same room
They can't see each other

Handcuffed

Under a spell of clarification
Clairvoyance is damnation
The actors walk out of the room
Did they leave a broom?
The witchcraft's awoken
Clarification's broken

The actors, did they leave a mess?
Or just a bookworm's stinky ass?
This one's a loser, said he
He's gluttony filled with greed
All the power of words
Is shattering worlds
The witch's awoken
The bookworm's broken

She walks out of the room
He follows her voice, the broom
The hat and the power
Reaching the theatre's tower
Arriving where the actors left
They look out scarred
They're slaves to the power of death

Handcuffed,
Stuffed with
Winter's bloom;
I leave thee here
Since it's better not to know
Where did they go


The story's gone
The giant's not true
If you believe in me
(And I ask thee, please
Don't do it)
I will ask you to tell me
A summer night blossom poem

Wednesday, November 28, 2007

A Maratona de Ficar Parado I

Se você olha ao redor
Vai achar tantos ratos e esgoto
Pensando se poderia ter sido melhor
Se poderia ter feito algo em Agosto
Você não fez nada que queria ter feito
E isso lhe traz desgosto
Você se considera feio
Antes fosse só por fora!
Você tenta achar um jeito
Parece que só dá pra ir embora
Então você arruma as malas
Com o coração pra fora
Enche um pacote de balas
E se despede das últimas bolas
Se pergunta por que a vida é assim
E se já não passou da hora
Você se esqueceu de dizer não
E você acha a resposta
Tristeza virou depressão
Tudo já é mais que dor
Paixão virou amor
No meio dos pensamentos
Você olha ao redor de novo
Deixa o cabelo ao vento
Na mata há sinal de fogo
Então te dão tratamento
Que virou remédio
Falta tão pouco
Pra terminarem de queimar
Deixe o fogo!
E vá trabalhar
E eu nem sei se deveria dizer isso
Não queria compromisso
Esse medo que nos pega
Que nos ata e nos cega
Incapazes de mudar
Livres numa coleira ajustável
Sem forças pra brigar
Com o cão que nos guia
Ele conta-nos piadas, faz o seu dia
E nós fazemos o nosso
Ainda tão perdidos em nós mesmos
Vou dizer algo, se eu posso
É tão frustrante nos tornar o que nos tornamos
É tão frustrante negar o que amamos
Perdemos dias no escuro
E temos medo da luz
Ela entra por um furo
E nós nos perguntamos
Por que estamos insanos
Agosto está próximo
Afogado em dióxido
Como Setembro e Outubro
E Janeiro e Março
Pintados de vermelho rubro
Inteligente virou burro
Nossa chacina está feita
O dado foi rolado
Parabéns, nós ganhamos
A Maratona de Ficar Parado

Wednesday, November 14, 2007

Air Filling of an Empty Box; The Marathon of Standing Still III; One Blue Sky

And so I say goodbye
No tears' gonna fulfill my eyes
This' a goodbye
No rules about it

And so I move on
To another corner of reality
Past's already done
Hide in the shadows of these walls

As you will choose your side
I leave thee all thy time
No rings or boundaries
This' my last warning

To the sandman you'll go
And your eyes will be driven mad
Shalt we dance?
There are no lines in the sand lad
Your lips will move falsely
There's no love in kissing, Red

No destinies intertwined
For the sake of pure energy
He's turned my enemy

Saturday, November 10, 2007

Two Hundred Lost Poems

Unable to think
Being trapped on my trap
That I set myself
Unable to think
Cause... I closed all the doors
Cannot think
Because thinking is...
Killing

Unable to think
Thinking is loving
Loving is killing
To love is to think about you
Killing is the thinking of you
Oh... And I wanted to think of you
But I really can’t

No rhymes

Just a scream

And you deserve someone with better rhymes
And better tunes
And better notes, and better chords
And all that better than (what) I’ve sworn

As usual you were my escape
From all those locked doors
I found you
And all that horror I had thought
It would be good...
If everything was different,
But it ain’t different
I’m a dissident
Of a rightful law

And past misdeeds...
They’re in the present
They’ve taken other forms
But they are present
I’ve taken off
But this ain’t a plane
Unless you’re destiny
But you would wane

And I’ll level down with you
Maybe there could be love...
But I wouldn’t take you through
The pain that’s ached too long

Insecure and cold
One out of many
Another out of many
Another gem

Sunday, November 04, 2007

Plastic Hearts

And you hide inside laughter
And thou chimes echo after
Once. twice... crushing emptinesses
And you've thought you were happy
Ah, happiness doesn't come around so fastly
Love doesn't come around so quickly
Your urge to rise postpones your fall
But this befall will certainly be the last one

Your glimpses of heaven trick your eyes
Your bleeding heart seems healed without aches
Caution and freedom
Run for your lives

Once I thought you were gold
For all the smiles upon your face
Once I thought you were gold
Because you could be happy
I won't think of it again
As it's long gone
But all the times it crushes your mind
You still wonder..
Why?

Live your own life
The last one to give you advice
Is yourself

(Plastic Hearts
But who's to judge?)

Sunday, October 14, 2007

The Evildoer

Open up for the evildoer
Throw me your karmic roses
Bring forth the sacrifices
Take me to the lower steps of unreality
Destroy my body, my mind
But don't take my heart
So evil, so dark
Don't take my heart
Can't you understand
Don't take my heart

Bring me the crown of the heir
The golden cross
The evil
The evil
The evil
I'm evil incarnate
Bring me my scythe
My blades
My bones and their hearts
I'll rip them out
Burn them
Sacrifice

I'll cripple their minds
I'll bind them to dust
I'm a crime
I'm the waltzer
And the ignorance

Monday, September 17, 2007

Doze Segundos

Porque é a representação do que sentimos
A xícara caiu no chão, se despedançando
A garota estava sob a lona, cercada
Ele levantou assustado e suado
Ele caiu no chão...
Ela sorriu para ele
Um homem abraçou o outro
O cavalo pôs as rédeas nele
O vidro se fragmentou em mil pedaços, molhando a parede
A descarga foi acionada
O ônibus atingiu em cheio algo, derrubando várias pessoas
Ele a perdeu

Wednesday, September 05, 2007

Sessenta Segundos

Porque eu te observo de longe
(uma frase vale mais do que um poema)

(Sessenta segundos)
Ele já a havia perdido. Perdido para outro homem.
Sua mente vagava durante os segundos que se passavam dentro do carro. A chuva caía torrencialmente. Dezenas, talvez centenas, de guarda-chuvas de ferro estavam apinhados na calçada que passava pelo vidro a cada segundo.
(Cinquenta segundos)
Ele virou à direita no sinal fechado, não causando um acidente por muito pouco. Buzinas soaram e pareciam entrar por um ouvido e sair por outro. Seu estado mental era caótico. Pegou uma flanela e limpou o vidro embaçado (quarenta segundos), mas a visão continuava muito ruim.
Encostou o carro na calçada, parando. Respirou fundo, limpou novamente por dentro (trinta segundos) e conseguiu liberar a mente.
Inspirou novamente (vinte segundos). Olhou pelo retrovisor e não viu nada.
(Quinze segundos)
Entrou de volta na avenida e um ônibus (treze segundos) atingiu em cheio a porta do motorista.

Wednesday, August 29, 2007

Sessenta Minutos

tic tac tic tac tic tac tlec
(00:60:00)
(tic tac tic tac...)

Ninguém reparou que todos os relógios marcaram 00:60.


Um homem deitou-se, sem camisa, sob as cobertas. Ele era bonito, para o padrão, e forte também. Sua mulher, ou namorada, deitou-se ao lado dele, com uma camisola e nada mais. Se olharam profundamente.

Sessenta minutos.

Eles se olharam, e trocaram carícias. O homem pensava como ele amava aquela mulher, e como já tinham sido tão problemáticos. E agora parecia dar tão certo... Como as coisas deveriam ser.
Como ele olhava naqueles olhos escuros com tamanho amor. Ou ele pensava que era amor, porque ele achava que sabia, ao menos, a diferença entre paixão e amor, embora isso seja o tipo de coisa que as pessoas só costumam realmente saber aos sessenta anos de idade, isso quando realmente sabem.

Ele ja tinha pensado se um dia iria amar. Amor é uma coisa tão rara para ele, na sua cabeça, uma coisa tão deturpada, tão abusada, tão ferida... Mas ainda sim, existente, como tudo que é eterno e que pode pular gerações, como uma luz que surge do nada no meio do escuro, assim como o escuro cresce no meio da luz no apagar de uma lâmpada no meio de milhares.

Abraçou-a. Beijou-a, e fecharam os olhos, dormindo, com as testas encostadas e um sentindo a respiração do outro. Ele sonhou por minutos, com ela, com sua vida. A vida que ele jamais poderia perder.

Acordou depois de meia hora, de repente. O que tinha sonhado? Parecia que ele tinha sonhado que ela morria. Olhou para o relógio e este marcava 01:55. Estava assustado, aquela idéia parecia não poder penetrar sua mente, era muito terrível.

Ela reparou que ele tinha acordado, e perguntou se estava tudo bem. Ele disse que sim, mas ela não acreditou, e ele acrescentou que tinha tido um pesadelo, mas que já estava melhor.

Se beijaram, e voltaram a dormir.
01:59:00

Thursday, August 16, 2007

Três Horas

Começou a terceira hora

Soltou um peido alto. E outro. E outro...
Levantou-se coçando a barriga, com seus shorts de dormir esfarrapados e uma camiseta cinza desbotada com uma mancha de mostarda.
Desligou a TV, se dirigiu ao banheiro e sentou no vaso. Defecou longamente, num prazer fascinante, enquanto angariava informações em seu jornal "NotíciaJá".
Limpou o ânus; precisou até utilizar o bidê, tamanho havia sido o estrago. Secou-se apropriadamente, deu descarga, lavou as mãos como um gato toma banho, e voltou à sala.
Ligou seu Playstation 2 e ficou jogando. Horas depois, já com os olhos vermelhos, ouviu a campainha. Ao atendê-la, deu de cara com um homem de terno e pasta.
- Bom dia, senhor!
- São três da tarde - respondeu o nosso homem, com um bafo notável e uma aura de fedor saindo debaixo de seus braços - o que quer?
- Sou um vendedor! Tenho os prod...
- Perae, quem te dexo entra? É domingo e isso é um prédio!
- Tenho permissão, senhor - disse ele, ainda sorridente, abrindo a pasta e mostrando os produtos - O que acha dessa miniatura de dragão chinês, ou dessa incrível máscara antigás? É uma penchia..!.
- Vá pra putaquepariu - respondeu, fechando a porta e a trancando. A campainha soou novamente, mas ele a ignorou. Umas duas vezes depois, ela parou.
O homem voltou a jogar seu playstation, agora acompanhando um copo de coca cola e uma ruffles.

E assim foi o resto de seu domingo.

Chovia naquela tarde, muito. O homem de terno parava no ponto de ônibus, com seu guarda chuva de plástico aberto sobre sua cabeça.
A água caía torrencialmente
...
Ele olhou pra cima, seu bigode preto úmido. Gotas caíram na lente de seu óculos.
Preto e branco. E cinza. Imaginem somente essas cores. E imaginem também Charles Chaplin.

A chuva caía nos óculos do senhor.
Ele os removeu e enxugou as lentes por dentro, colocando-os novamente. Enxergava melhor agora. Tão melhor.
Seu guarda chuva de plástico continuava lá encima, protegendo-o da água novamente. E as pessoas passavam com seus guardas chuvas de ferro. Ele não gostava de nada feito com ferro.
Ah, libertem-se olhos e assim da prisão da carne
Ele disse baixo essas palavras. Mas a chuva continuava a cair torrencialmente, e seu guarda chuva de plástico começava a demonstrar sinais de que não agüentaria a chegada do ônibus.
Suas pernas estavam encharcadas, e sentiu vontade de tirar os sapatos e meias, mas não podia. Tinha de ir trabalhar.
Duas horas já tinha dado no relógio. O transporte estava atrasado. Novamente, em dias de chuva. A rua estava começando a encher.
Olhou de novo para seu relógio de pulso, e caíram gotas no vidro. Mas infelizmente ele não as podia limpar por dentro, então elas ficaram daquele modo.
Seus guarda chuva de plástico cedeu então, quebrando. Ele começou a sentir a chuva na cabeça e no paletó, e continuava vendo todos aqueles guardas-chuva de ferro passarem de lá pra cá... de cá pra lá...
O ônibus cruzou a esquina. Ele já estava um tanto encharcado.

Ele entrou no ônibus, junto com todos aqueles guarda-chuvas de plástico.

Monday, August 13, 2007

Seis Horas

Começou a sexta hora.

- Eu pensava demais que tava no fundo do poço. Esse foi meu maior problema.
- Cara, eu não penso, eu to...
- Larga a mão de ser egocêntrico. Eu tento lhe contar a história, ninguém mais que eu sabe o que vivi... Vivi na escuridão por anos porque eu pensava que estava no escuro. Você não percebe?
- Mas...
- Nada de "mas". Eu sei dos teus problemas, sei que são difíceis, mas você precisa continuar. Precisa erguer a cabeça e os punhos. E depoi que apanhar se levantar de novo.
- Você não pode falar nada, você também é triste, e deprimido, e...
- Mas EU sobrevivi! Será que você não entende? O sofrimento é inerente ao ser humano. TOdos temos parte dele. A força real está em saber viver bem apesar disso. Todos temos uma escuridão atrás de nós, mas só os fracos desistem da luz que está a frente. A vida é isso, correr e dar o máximo de si. Mesmo que por vez ou outra, tropece e seja engolido. Eu confio em você, você tem que começar a machar. Você tem que dar o seu melhor, senão nada dará o melhor de si a ti.
- EU confio em você. Enfrenta esse bicho, por tudo que você ama.


Cavalos correm pela praia, livres.
Você já viu um cavalo correndo livre?
Eu não. Nem em filme.

Essa é a estranheza da liberdade. Onde estão os cavalos na natureza? Na África só vemos zebras e outros quadrúpedes. E que sina é essa do cavalo domesticado? Cuja liberdade agora depende do dono totalmente, incapaz de se libertar dos arreios, vivendo no feno?

Os cavalos correm pela praia, livres.
Você já viu um cavalo correndo livre?
Ele já.

A montaria reduz em tempo a marcha, e logo devem alcançar o destino. O vento passa livre sobre os cabelos do cavaleiro, sentindo a liberdade. Tem sob seu domínio um animal muito maior e mais forte que ele, mas agora ele é o senhor. Ele é o livre
(Oprimir é liberdade)
e ele é o forte. O astuto. O sagaz.

Os cavalos relincham pela praia.
Você já viu um cavalo na praia?

Ele não pode mais segurar a opressão. A opressão o sufoca... porque ele tem de completá-la. Como uma droga ela se infiltrou na vida dele, e agora ele não pode fazer nada a não seguir a Sua vontade. Ele tem seu posto, seus deveres, e ficou tão fraco que não pode mais lutar contra o que acha errado. Sua boca mesmo discorda do que ele pensa. Ele virou uma marionete nas mãos do destino.

Uma onda sobe no mar.
Os cavalos estão livres.
Cavalos afogados de Poseidon.



Ele preparou o copo de água e deixou encima da mesa. As pílulas estavam ao lado, todas juntas.
O baseado não estava aceso ainda. O ritual deveria tomar seu devido tempo. Havia queijo, e vinho tinto da mais fina qualidade; e chocolate, e pão, e manteiga, e ovos e carne de porco defumada.
As velas eram a única fonte de luz. Ele esquentou a carne no microondas, encheu um copo com vinho, e tomou um longo gole. Comeu nacos do queijo e da carne; e fez lanches misturando-os com pão, manteiga e ovos. E acendeu o cigarro.
Tragou profundamente. Aproveitou toda a visão das velas e a mesa e aquela sensação mórbida que pairava no ar. Deprimiu-se, derramou uma gota d'água pelos olhos. O vinho fazia o efeito agora, e ele rodava. E tragava de novo. E pegou a caneta e escreveu.
Escreveu sua carta de despedida, falando das pessoas que amava, e das dores da vida, e principalmente, iniciou uma dissertação sobre drogas. Falou do álcool, e de como gostaria que todos os seus amigos e pessoas próximas ganhassem um trauma, para entenderem o que acontece de verdade; e derramou mais lágrimas, agora na folha. E queria seus amigos.
Terminou a maconha. Se dirigiu à mesa, ao copo, aos comprimidos e olhou longamente. Sua mente vagou pela vida toda, todos aqueles 19 anos de decepções, e tristeza e ódio. Misturou todos na água.

Segurou o copo.

(Ah, tristeza e vida)

Encostou o vidro na boca

(Seus olhos fitaram o nada, molhados)

Virou um pouco o copo. Os comprimidos pararam nos lábios fechados.




Tirou o copo da boca e o jogou na parede.

Sunday, July 08, 2007

Nove Horas

Começou a nona hora

O transito piorava a cada dia. Um engarrafamento atrás do outro. A poluição na cidade aumentava (e o efeito estufa também, mas isso não é o assunto desse conto) e a saúde das pessoas estava piorando.
O homem se dirigia para mais um dia de trabalho. Estava estressado, era quarta-feira, o pior dia da semana, principalmente para um cara como ele que não gosta de futebol. E havia a faculdade, e tantas outras coisas a se fazer.
As vidraças do prédio gigante refletiam os raios solares cheios de seus ultravioletas, infravermelhos e aquelas outras coisas. Ele havia se esquecido desses nomes, embora achava mais interessante que a taxa de câmbio da bolsa de valores.
E as estrelas de hélio... e de que mais eram feitas? Chumbo? Bits de informação?
(Bits de informação?)
Ele não lembrava, mas ultimamente qualquer coisa fazia sentido.
Chegou ao trabalho e recebeu uma ligação.


Foi ao enterro.

E ele chorou no enterro. Talvez tenha sido o que mais chorou. E a quarta feira estressante tornou-se mais cinza, uma cor de fuligem, uma cor de fuligem enferrujada no fundo de uma sala escura e fria. E dolorosa. Uma sala de tortura.
Talvez seu amor não seria visto mais nessa vida.

Ele chegou em casa e encontrou sua sobrinha, com cinco anos. A cara dele estava péssima, notoriamente tinha chorado muito, e a garotinha perguntou o que havia acontecido.
- A Paula.... ela foi viajar, Vic...
- Ela vai demorá? – a garotinha perguntou, e ele não conseguiu segurar as lágrimas e chorou ali na frente dela... E na voz embargada, respondeu.
- Sim... Talvez um bom tempo... Mas eu ainda vou encontrar... só estou fraco por ela ter ido hoje...
- Que pena... – e a garota realmente parecia triste com isso. De repente, ela se animou com alguma coisa.
- Você ta fracu? Se quiser, eu te dô um poquinho de força...
O homem ainda derramava umas pequenas lágrimas em frente a garotinha, e não sabia como responder. Ele fez um sim com a cabeça.
- Me dá sua mão. – ela disse e ele assim fez.

E a garotinha segurou a mão dele, e era um toque diferente. Era algo que não tirava a tristeza da situação, porque algumas tristezas devem ser vividas, mas dava um sentimento de conforto, apesar de tudo.
Um tempinho se passou, e ela perguntou: “Qué mais um poco? Eu tenhu bastanti” e ele fez ‘sim’ com a cabeça. Ela segurou a mão dele mais um pouco, até que ele a soltou. Ela o abraçou e ele disse que precisava se deitar um pouco e ela aceitou.

E ele foi chorar e pensar.



Sentou no quarto, a luz acesa. Pegou seu caderno no armário. Há quanto tempo não escrevia?
Sentia-se muito bem escrevendo, mesmo no momento derradeiro. Ele tinha prazer em simplesmente conseguir descrever com detalhes uma situação; era como saber que podia manipular a mente de alguém através de pequenas palavras por um só momento, porque ele conseguia (ou sentia que conseguia) transportar a pessoa para aquele momento que ele escrevia.
E agora deveria ser sua última caligrafia. Sua última tentativa de transportar alguém para outro lugar. Um lugar estranho que ele chamava de ‘Sua própria mente’, por outras vezes chamava de Dogan, um nome que ele tinha retirado de um livro que leu de Stephen King.

Começou a escrever. Era a última.

A última carta.

Pois embora sinto tudo vibrar ao meu redor, e as energias fluem através do espaço da maneira correta, também sinto que, sem mim, a harmonia será maior. E claro que isso não é o motivo principal. To poco me fudendo pra energia.
Todo mundo tem momentos derradeiros, e o meu não poderia ser diferente desse. Os outros costumam cair e se levantar, mas minha vida é um teatro; o drama é meu rumo, e a ascensão e a queda tem de ser equivalentes. E aqui estou! Na queda!
Porque talvez todo mundo vá ao meu enterro e chore por mim, e se lembrem de meus momentos altos, e talvez vão rir quando se lembrarem de bons momentos. Ou talvez me esqueçam, por causa dessa carta, que faz tudo parecer uma grande piada. Não é uma grande piada. É sem graça. É minha última tentativa de parecer forte e que ‘to poco me fudendo pra vocês”.
Vão me odiar por isso. Eu sei que vão. Mas eu não agüento mais. Não quero saber de vocês mesmo. Ou na verdade quero. Queria dar uma última olhada nos seus olhos. Não escreveria se não quisesse saber de vocês. Se não quisesse dar uma última palavra. Porque, afinal, a vida vale a pena; só não vale pra quem não a faz valer. E eu acho que entrei num poço que não quero sair, mas
the show must go on. Por isso, o fim dramático e trágico. E tudo volta aonde começou, embora isso não faça sentido. Não precisa fazer, você não poderá me dizer que não faz sentido. Há ha.
Eu vivi. Eu odiei tanto, e amei tanto, e acho que não há um fim melhor para esse. O suicídio é o ato final de uma vida moribunda e triste; mas por que? Suicídio é o pior modo de se morrer, talvez. Mas se eu vivi da melhor maneira possível, talvez isso seja justo. Vivi da melhor maneira possível pelas minhas mãos; e agora morro pelas mesmas. Como o
Harakiri, dos samurais.
Nota-se que também tenho medo. Divago nessas idéias sem sentido, mas porque quando acabar essa carta, acaba tudo. É estranho não é mesmo? Talvez meu maior pesadelo e, ainda assim, minha maior ajuda, será que a tinta da caneta comece a falhar. Mas acho que não, não ainda. Essas bics são muito eficientes, e esta acabou de surgir na minha estante.
Então não sei o que fazer. Agora, nesse momento. Porque escrevo pra você... e você. E você também. E ele. E nós. E por tudo que vivemos. E por você que partiu e não sei por que partiu. Não sei por que nos deixou. Talvez isso te traga de volta; talvez isso te traga tanta dor que você acabe mudando-se para meu lar do futuro próximo. Isso se houver lar. Isso se houver qualquer coisa. Mas você sabe em parte tudo que aconteceu; mas todo artista tem o direito de sair da peça, embora isso faça falta para os outros.
Tenho um pouco de medo. As coisas estão sumindo...
Eu queria dizer nesse momento final que te amo também. Ou não te amo, por favor isso.

Um Adeus.

M



- Não pise na grama, Sam.


A senhora gritou para o filho esta frase. Ele, como de costume, disse “sim” mas não ouviu direito. Tinha de correr, e brincar.
Chegou no “playground”, e lá estava sua amiga Jolly. Ela estava com um balde e outros acessórios brincando, e ao olhar ao redor notou ele ali. Seus dois olhos castanhos claros entre a franja loira tinham aquele brilho infantil e estavam bem abertos. Ela deu um pequeno sorriso e ele se juntou a ela, misturando seus brinquedos.
Passou um tempo e ela (mais serelepe que a maioria das outras crianças) apontou para a grama e falou: “Vamu pra lá? É mais legal que aqui” e ela apontou o chão de granito. Ele pensou um pouco.
“Ah, num sei... algo me diz que não devia”
“Por que naum?”
Ele pensou e viu que não havia por que, e foram brincar na grama-mais-verde-do-vizinho. O dia correu normal e voltaram depois para casa.
Sam estava todo sujo. Sua mãe foi lhe dar banho quando notou muitos pontinhos pretos em sua perna, braços, corpo. Eram micuins e ele tinha alergia. Sua mãe o levou desesperada para o hospital.
Coçava muito e, à medida que coçava, machucava. E a vontade de coçar era enorme! Por todo o corpo os bichinhos tinham se alastrado.
Chegou no hospital e, após primeiros exames, descobriu que teria de ficar internado. Isso durou uma semana.
Nesse tempo, ele se perguntava se sua amiga também tinha pego aqueles bichinhos FDPs, mas não tinha como saber.
Passou a semana, e depois de mais outros dias recebeu alta para voltar para a escola. Chegando lá viu sua amiga e perguntou como esteve e o que aconteceu. Ao fim, ela perguntou.
“E agora?”
E ele:
“Não podemos mais ir brincar na grama” e ele deu um sorriso triste ( :/ )
Ela também. Mas continuaram brincando às vezes, e voltaram outras vezes ao gramado, quando ele conseguia achar uma pomada milagrosa chamada repelente.
A sétima hora, sétimo dia, sétimo vídeo, foto, sétima vida de um gato.

Cavalos afogados de Poseidon

(Agradecimentos a JC)

Tuesday, July 03, 2007

Doze horas

Começou a décima segunda hora.

O garoto levantou da cama, assustado. Um início batido, mas que quer dizer muito. E muitos autores utilizam-no, porque a maioria de suas idéias às vezes vem dos pesadelos que eles mesmos tem...
Não conseguia ouvir direito. O ouvido esquerdo principalmente parecia tampado. Ele estava um tanto suado, embora não fazia calor. Sentia febre, e mal-estar pelo corpo todo.
Levantou-se, pondo seus chinelos havaianas e fazendo um certo barulho para abrir a porta do quarto. A luz do abajur que se localizava no corredor iluminava parcamente o redor, mas ele sabia que não podia acender a luz do teto ou outras pessoas poderiam acordar.
Tentou fazer silêncio até chegar ao fim do corredor e à sala de jantar, e, mesmo sem-sucesso, acabou crendo que não tinha acordado ninguém. Acendeu a luz da sala.
A porta estava aberta para os fundos. Não sabia quem a havia aberto, mas ela estava escancarada, e as luzes acesas. Uma fina brisa percorria agora a sala, e batia no peito desprotegido, causando-lhe calafrios mas estranhamente melhorando a sensação de febre.
Ele aproximou-se, chamando um nome. Nada. Olhou de esguelha para fora, e notou uma pequena movimentação. Chamou novamente e surgiu uma pessoa, e ele fechou a porta. De repente, notou que não encontrava seu cão.
Como para responder seus pensamentos, ouviu um latido vindo lá de fora. Um latido que dizia "Não vai me deixar aqui, vai?"
O que era aquele pesadelo? Ele se perguntava, onde estavam os outros. Começou a berrar nomes, e responderam. Responderam um atrás do outro. Ele suava mais, tremia, e sentia-se fraco e oprimido.
Acordou. Estava no hospital. Estava berrando no hospital.
Estavam respondendo para ele e ele não entendia nada.

O doce gosto do chocolate no inverno.

A mulher bebericava de uma xícara na frente de uma lareira. O inverno tinha sido rigoroso esse ano, mas não havia faltado nada, e ela podia desfrutar de goles de café misturados com o produto do cacau.
A neve caía lá fora, e ela se sentiu sozinha por um momento, com um aperto no coração. Ela queria ver o mundo lá fora, talvez. Aproximou-se da janela, sentindo as garras finas do frio mais próximas conforme se afastava da lareira. A fumaça saía do recipiente, e conforme ela olhou pela janela, tanto sua respiração quanto a fumaça esfumaçaram o vidro. O vento era forte lá fora, e um galho pendia de sua árvore.
Ela virou-se e foi até a cozinha. Iria preparar mais uma xícara.

O circo chega à cidade

É época de festa. Um grande circo chegou à cidade e montou suas barracas. Caminhões cheios de animais chegam a cada dia, e logo o espetáculo começará.
A criança olha atenta pela janela do segundo andar. Seus olhos brilham cada vez que algo novo chega ao seu conhecimento. Qual será o tempo dessa criança? Décadas, séculos, milênios atrás?
Nem ela sabe. Ela olha pela janela porque gosta. E a janela e a casa nos dizem que deve ser atual o tempo, mas nada além disso. É tudo muito estranho para nós, que vemos tudo de fora.
Os animais correm soltos...
Os animais correm soltos.
Os animais correm soltos?
OS ANIMAIS CORREM SOLTOS!
Antes que ela possa gritar, um homem é pego por um leão na rua e massacrado. Ela vira os olhos antes de ver o resto, incapaz de pegar os detalhes de toda a crueldade animal. Grita por sua mãe, mas se lembra de que sua mãe tinha saído de casa havia pouco tempo, para ir em uma venda.
Ela se lembra de sua mãe.

Sunday, July 01, 2007