Wednesday, August 29, 2007

Sessenta Minutos

tic tac tic tac tic tac tlec
(00:60:00)
(tic tac tic tac...)

Ninguém reparou que todos os relógios marcaram 00:60.


Um homem deitou-se, sem camisa, sob as cobertas. Ele era bonito, para o padrão, e forte também. Sua mulher, ou namorada, deitou-se ao lado dele, com uma camisola e nada mais. Se olharam profundamente.

Sessenta minutos.

Eles se olharam, e trocaram carícias. O homem pensava como ele amava aquela mulher, e como já tinham sido tão problemáticos. E agora parecia dar tão certo... Como as coisas deveriam ser.
Como ele olhava naqueles olhos escuros com tamanho amor. Ou ele pensava que era amor, porque ele achava que sabia, ao menos, a diferença entre paixão e amor, embora isso seja o tipo de coisa que as pessoas só costumam realmente saber aos sessenta anos de idade, isso quando realmente sabem.

Ele ja tinha pensado se um dia iria amar. Amor é uma coisa tão rara para ele, na sua cabeça, uma coisa tão deturpada, tão abusada, tão ferida... Mas ainda sim, existente, como tudo que é eterno e que pode pular gerações, como uma luz que surge do nada no meio do escuro, assim como o escuro cresce no meio da luz no apagar de uma lâmpada no meio de milhares.

Abraçou-a. Beijou-a, e fecharam os olhos, dormindo, com as testas encostadas e um sentindo a respiração do outro. Ele sonhou por minutos, com ela, com sua vida. A vida que ele jamais poderia perder.

Acordou depois de meia hora, de repente. O que tinha sonhado? Parecia que ele tinha sonhado que ela morria. Olhou para o relógio e este marcava 01:55. Estava assustado, aquela idéia parecia não poder penetrar sua mente, era muito terrível.

Ela reparou que ele tinha acordado, e perguntou se estava tudo bem. Ele disse que sim, mas ela não acreditou, e ele acrescentou que tinha tido um pesadelo, mas que já estava melhor.

Se beijaram, e voltaram a dormir.
01:59:00

Thursday, August 16, 2007

Três Horas

Começou a terceira hora

Soltou um peido alto. E outro. E outro...
Levantou-se coçando a barriga, com seus shorts de dormir esfarrapados e uma camiseta cinza desbotada com uma mancha de mostarda.
Desligou a TV, se dirigiu ao banheiro e sentou no vaso. Defecou longamente, num prazer fascinante, enquanto angariava informações em seu jornal "NotíciaJá".
Limpou o ânus; precisou até utilizar o bidê, tamanho havia sido o estrago. Secou-se apropriadamente, deu descarga, lavou as mãos como um gato toma banho, e voltou à sala.
Ligou seu Playstation 2 e ficou jogando. Horas depois, já com os olhos vermelhos, ouviu a campainha. Ao atendê-la, deu de cara com um homem de terno e pasta.
- Bom dia, senhor!
- São três da tarde - respondeu o nosso homem, com um bafo notável e uma aura de fedor saindo debaixo de seus braços - o que quer?
- Sou um vendedor! Tenho os prod...
- Perae, quem te dexo entra? É domingo e isso é um prédio!
- Tenho permissão, senhor - disse ele, ainda sorridente, abrindo a pasta e mostrando os produtos - O que acha dessa miniatura de dragão chinês, ou dessa incrível máscara antigás? É uma penchia..!.
- Vá pra putaquepariu - respondeu, fechando a porta e a trancando. A campainha soou novamente, mas ele a ignorou. Umas duas vezes depois, ela parou.
O homem voltou a jogar seu playstation, agora acompanhando um copo de coca cola e uma ruffles.

E assim foi o resto de seu domingo.

Chovia naquela tarde, muito. O homem de terno parava no ponto de ônibus, com seu guarda chuva de plástico aberto sobre sua cabeça.
A água caía torrencialmente
...
Ele olhou pra cima, seu bigode preto úmido. Gotas caíram na lente de seu óculos.
Preto e branco. E cinza. Imaginem somente essas cores. E imaginem também Charles Chaplin.

A chuva caía nos óculos do senhor.
Ele os removeu e enxugou as lentes por dentro, colocando-os novamente. Enxergava melhor agora. Tão melhor.
Seu guarda chuva de plástico continuava lá encima, protegendo-o da água novamente. E as pessoas passavam com seus guardas chuvas de ferro. Ele não gostava de nada feito com ferro.
Ah, libertem-se olhos e assim da prisão da carne
Ele disse baixo essas palavras. Mas a chuva continuava a cair torrencialmente, e seu guarda chuva de plástico começava a demonstrar sinais de que não agüentaria a chegada do ônibus.
Suas pernas estavam encharcadas, e sentiu vontade de tirar os sapatos e meias, mas não podia. Tinha de ir trabalhar.
Duas horas já tinha dado no relógio. O transporte estava atrasado. Novamente, em dias de chuva. A rua estava começando a encher.
Olhou de novo para seu relógio de pulso, e caíram gotas no vidro. Mas infelizmente ele não as podia limpar por dentro, então elas ficaram daquele modo.
Seus guarda chuva de plástico cedeu então, quebrando. Ele começou a sentir a chuva na cabeça e no paletó, e continuava vendo todos aqueles guardas-chuva de ferro passarem de lá pra cá... de cá pra lá...
O ônibus cruzou a esquina. Ele já estava um tanto encharcado.

Ele entrou no ônibus, junto com todos aqueles guarda-chuvas de plástico.

Monday, August 13, 2007

Seis Horas

Começou a sexta hora.

- Eu pensava demais que tava no fundo do poço. Esse foi meu maior problema.
- Cara, eu não penso, eu to...
- Larga a mão de ser egocêntrico. Eu tento lhe contar a história, ninguém mais que eu sabe o que vivi... Vivi na escuridão por anos porque eu pensava que estava no escuro. Você não percebe?
- Mas...
- Nada de "mas". Eu sei dos teus problemas, sei que são difíceis, mas você precisa continuar. Precisa erguer a cabeça e os punhos. E depoi que apanhar se levantar de novo.
- Você não pode falar nada, você também é triste, e deprimido, e...
- Mas EU sobrevivi! Será que você não entende? O sofrimento é inerente ao ser humano. TOdos temos parte dele. A força real está em saber viver bem apesar disso. Todos temos uma escuridão atrás de nós, mas só os fracos desistem da luz que está a frente. A vida é isso, correr e dar o máximo de si. Mesmo que por vez ou outra, tropece e seja engolido. Eu confio em você, você tem que começar a machar. Você tem que dar o seu melhor, senão nada dará o melhor de si a ti.
- EU confio em você. Enfrenta esse bicho, por tudo que você ama.


Cavalos correm pela praia, livres.
Você já viu um cavalo correndo livre?
Eu não. Nem em filme.

Essa é a estranheza da liberdade. Onde estão os cavalos na natureza? Na África só vemos zebras e outros quadrúpedes. E que sina é essa do cavalo domesticado? Cuja liberdade agora depende do dono totalmente, incapaz de se libertar dos arreios, vivendo no feno?

Os cavalos correm pela praia, livres.
Você já viu um cavalo correndo livre?
Ele já.

A montaria reduz em tempo a marcha, e logo devem alcançar o destino. O vento passa livre sobre os cabelos do cavaleiro, sentindo a liberdade. Tem sob seu domínio um animal muito maior e mais forte que ele, mas agora ele é o senhor. Ele é o livre
(Oprimir é liberdade)
e ele é o forte. O astuto. O sagaz.

Os cavalos relincham pela praia.
Você já viu um cavalo na praia?

Ele não pode mais segurar a opressão. A opressão o sufoca... porque ele tem de completá-la. Como uma droga ela se infiltrou na vida dele, e agora ele não pode fazer nada a não seguir a Sua vontade. Ele tem seu posto, seus deveres, e ficou tão fraco que não pode mais lutar contra o que acha errado. Sua boca mesmo discorda do que ele pensa. Ele virou uma marionete nas mãos do destino.

Uma onda sobe no mar.
Os cavalos estão livres.
Cavalos afogados de Poseidon.



Ele preparou o copo de água e deixou encima da mesa. As pílulas estavam ao lado, todas juntas.
O baseado não estava aceso ainda. O ritual deveria tomar seu devido tempo. Havia queijo, e vinho tinto da mais fina qualidade; e chocolate, e pão, e manteiga, e ovos e carne de porco defumada.
As velas eram a única fonte de luz. Ele esquentou a carne no microondas, encheu um copo com vinho, e tomou um longo gole. Comeu nacos do queijo e da carne; e fez lanches misturando-os com pão, manteiga e ovos. E acendeu o cigarro.
Tragou profundamente. Aproveitou toda a visão das velas e a mesa e aquela sensação mórbida que pairava no ar. Deprimiu-se, derramou uma gota d'água pelos olhos. O vinho fazia o efeito agora, e ele rodava. E tragava de novo. E pegou a caneta e escreveu.
Escreveu sua carta de despedida, falando das pessoas que amava, e das dores da vida, e principalmente, iniciou uma dissertação sobre drogas. Falou do álcool, e de como gostaria que todos os seus amigos e pessoas próximas ganhassem um trauma, para entenderem o que acontece de verdade; e derramou mais lágrimas, agora na folha. E queria seus amigos.
Terminou a maconha. Se dirigiu à mesa, ao copo, aos comprimidos e olhou longamente. Sua mente vagou pela vida toda, todos aqueles 19 anos de decepções, e tristeza e ódio. Misturou todos na água.

Segurou o copo.

(Ah, tristeza e vida)

Encostou o vidro na boca

(Seus olhos fitaram o nada, molhados)

Virou um pouco o copo. Os comprimidos pararam nos lábios fechados.




Tirou o copo da boca e o jogou na parede.

Sunday, July 08, 2007

Nove Horas

Começou a nona hora

O transito piorava a cada dia. Um engarrafamento atrás do outro. A poluição na cidade aumentava (e o efeito estufa também, mas isso não é o assunto desse conto) e a saúde das pessoas estava piorando.
O homem se dirigia para mais um dia de trabalho. Estava estressado, era quarta-feira, o pior dia da semana, principalmente para um cara como ele que não gosta de futebol. E havia a faculdade, e tantas outras coisas a se fazer.
As vidraças do prédio gigante refletiam os raios solares cheios de seus ultravioletas, infravermelhos e aquelas outras coisas. Ele havia se esquecido desses nomes, embora achava mais interessante que a taxa de câmbio da bolsa de valores.
E as estrelas de hélio... e de que mais eram feitas? Chumbo? Bits de informação?
(Bits de informação?)
Ele não lembrava, mas ultimamente qualquer coisa fazia sentido.
Chegou ao trabalho e recebeu uma ligação.


Foi ao enterro.

E ele chorou no enterro. Talvez tenha sido o que mais chorou. E a quarta feira estressante tornou-se mais cinza, uma cor de fuligem, uma cor de fuligem enferrujada no fundo de uma sala escura e fria. E dolorosa. Uma sala de tortura.
Talvez seu amor não seria visto mais nessa vida.

Ele chegou em casa e encontrou sua sobrinha, com cinco anos. A cara dele estava péssima, notoriamente tinha chorado muito, e a garotinha perguntou o que havia acontecido.
- A Paula.... ela foi viajar, Vic...
- Ela vai demorá? – a garotinha perguntou, e ele não conseguiu segurar as lágrimas e chorou ali na frente dela... E na voz embargada, respondeu.
- Sim... Talvez um bom tempo... Mas eu ainda vou encontrar... só estou fraco por ela ter ido hoje...
- Que pena... – e a garota realmente parecia triste com isso. De repente, ela se animou com alguma coisa.
- Você ta fracu? Se quiser, eu te dô um poquinho de força...
O homem ainda derramava umas pequenas lágrimas em frente a garotinha, e não sabia como responder. Ele fez um sim com a cabeça.
- Me dá sua mão. – ela disse e ele assim fez.

E a garotinha segurou a mão dele, e era um toque diferente. Era algo que não tirava a tristeza da situação, porque algumas tristezas devem ser vividas, mas dava um sentimento de conforto, apesar de tudo.
Um tempinho se passou, e ela perguntou: “Qué mais um poco? Eu tenhu bastanti” e ele fez ‘sim’ com a cabeça. Ela segurou a mão dele mais um pouco, até que ele a soltou. Ela o abraçou e ele disse que precisava se deitar um pouco e ela aceitou.

E ele foi chorar e pensar.



Sentou no quarto, a luz acesa. Pegou seu caderno no armário. Há quanto tempo não escrevia?
Sentia-se muito bem escrevendo, mesmo no momento derradeiro. Ele tinha prazer em simplesmente conseguir descrever com detalhes uma situação; era como saber que podia manipular a mente de alguém através de pequenas palavras por um só momento, porque ele conseguia (ou sentia que conseguia) transportar a pessoa para aquele momento que ele escrevia.
E agora deveria ser sua última caligrafia. Sua última tentativa de transportar alguém para outro lugar. Um lugar estranho que ele chamava de ‘Sua própria mente’, por outras vezes chamava de Dogan, um nome que ele tinha retirado de um livro que leu de Stephen King.

Começou a escrever. Era a última.

A última carta.

Pois embora sinto tudo vibrar ao meu redor, e as energias fluem através do espaço da maneira correta, também sinto que, sem mim, a harmonia será maior. E claro que isso não é o motivo principal. To poco me fudendo pra energia.
Todo mundo tem momentos derradeiros, e o meu não poderia ser diferente desse. Os outros costumam cair e se levantar, mas minha vida é um teatro; o drama é meu rumo, e a ascensão e a queda tem de ser equivalentes. E aqui estou! Na queda!
Porque talvez todo mundo vá ao meu enterro e chore por mim, e se lembrem de meus momentos altos, e talvez vão rir quando se lembrarem de bons momentos. Ou talvez me esqueçam, por causa dessa carta, que faz tudo parecer uma grande piada. Não é uma grande piada. É sem graça. É minha última tentativa de parecer forte e que ‘to poco me fudendo pra vocês”.
Vão me odiar por isso. Eu sei que vão. Mas eu não agüento mais. Não quero saber de vocês mesmo. Ou na verdade quero. Queria dar uma última olhada nos seus olhos. Não escreveria se não quisesse saber de vocês. Se não quisesse dar uma última palavra. Porque, afinal, a vida vale a pena; só não vale pra quem não a faz valer. E eu acho que entrei num poço que não quero sair, mas
the show must go on. Por isso, o fim dramático e trágico. E tudo volta aonde começou, embora isso não faça sentido. Não precisa fazer, você não poderá me dizer que não faz sentido. Há ha.
Eu vivi. Eu odiei tanto, e amei tanto, e acho que não há um fim melhor para esse. O suicídio é o ato final de uma vida moribunda e triste; mas por que? Suicídio é o pior modo de se morrer, talvez. Mas se eu vivi da melhor maneira possível, talvez isso seja justo. Vivi da melhor maneira possível pelas minhas mãos; e agora morro pelas mesmas. Como o
Harakiri, dos samurais.
Nota-se que também tenho medo. Divago nessas idéias sem sentido, mas porque quando acabar essa carta, acaba tudo. É estranho não é mesmo? Talvez meu maior pesadelo e, ainda assim, minha maior ajuda, será que a tinta da caneta comece a falhar. Mas acho que não, não ainda. Essas bics são muito eficientes, e esta acabou de surgir na minha estante.
Então não sei o que fazer. Agora, nesse momento. Porque escrevo pra você... e você. E você também. E ele. E nós. E por tudo que vivemos. E por você que partiu e não sei por que partiu. Não sei por que nos deixou. Talvez isso te traga de volta; talvez isso te traga tanta dor que você acabe mudando-se para meu lar do futuro próximo. Isso se houver lar. Isso se houver qualquer coisa. Mas você sabe em parte tudo que aconteceu; mas todo artista tem o direito de sair da peça, embora isso faça falta para os outros.
Tenho um pouco de medo. As coisas estão sumindo...
Eu queria dizer nesse momento final que te amo também. Ou não te amo, por favor isso.

Um Adeus.

M



- Não pise na grama, Sam.


A senhora gritou para o filho esta frase. Ele, como de costume, disse “sim” mas não ouviu direito. Tinha de correr, e brincar.
Chegou no “playground”, e lá estava sua amiga Jolly. Ela estava com um balde e outros acessórios brincando, e ao olhar ao redor notou ele ali. Seus dois olhos castanhos claros entre a franja loira tinham aquele brilho infantil e estavam bem abertos. Ela deu um pequeno sorriso e ele se juntou a ela, misturando seus brinquedos.
Passou um tempo e ela (mais serelepe que a maioria das outras crianças) apontou para a grama e falou: “Vamu pra lá? É mais legal que aqui” e ela apontou o chão de granito. Ele pensou um pouco.
“Ah, num sei... algo me diz que não devia”
“Por que naum?”
Ele pensou e viu que não havia por que, e foram brincar na grama-mais-verde-do-vizinho. O dia correu normal e voltaram depois para casa.
Sam estava todo sujo. Sua mãe foi lhe dar banho quando notou muitos pontinhos pretos em sua perna, braços, corpo. Eram micuins e ele tinha alergia. Sua mãe o levou desesperada para o hospital.
Coçava muito e, à medida que coçava, machucava. E a vontade de coçar era enorme! Por todo o corpo os bichinhos tinham se alastrado.
Chegou no hospital e, após primeiros exames, descobriu que teria de ficar internado. Isso durou uma semana.
Nesse tempo, ele se perguntava se sua amiga também tinha pego aqueles bichinhos FDPs, mas não tinha como saber.
Passou a semana, e depois de mais outros dias recebeu alta para voltar para a escola. Chegando lá viu sua amiga e perguntou como esteve e o que aconteceu. Ao fim, ela perguntou.
“E agora?”
E ele:
“Não podemos mais ir brincar na grama” e ele deu um sorriso triste ( :/ )
Ela também. Mas continuaram brincando às vezes, e voltaram outras vezes ao gramado, quando ele conseguia achar uma pomada milagrosa chamada repelente.
A sétima hora, sétimo dia, sétimo vídeo, foto, sétima vida de um gato.

Cavalos afogados de Poseidon

(Agradecimentos a JC)

Tuesday, July 03, 2007

Doze horas

Começou a décima segunda hora.

O garoto levantou da cama, assustado. Um início batido, mas que quer dizer muito. E muitos autores utilizam-no, porque a maioria de suas idéias às vezes vem dos pesadelos que eles mesmos tem...
Não conseguia ouvir direito. O ouvido esquerdo principalmente parecia tampado. Ele estava um tanto suado, embora não fazia calor. Sentia febre, e mal-estar pelo corpo todo.
Levantou-se, pondo seus chinelos havaianas e fazendo um certo barulho para abrir a porta do quarto. A luz do abajur que se localizava no corredor iluminava parcamente o redor, mas ele sabia que não podia acender a luz do teto ou outras pessoas poderiam acordar.
Tentou fazer silêncio até chegar ao fim do corredor e à sala de jantar, e, mesmo sem-sucesso, acabou crendo que não tinha acordado ninguém. Acendeu a luz da sala.
A porta estava aberta para os fundos. Não sabia quem a havia aberto, mas ela estava escancarada, e as luzes acesas. Uma fina brisa percorria agora a sala, e batia no peito desprotegido, causando-lhe calafrios mas estranhamente melhorando a sensação de febre.
Ele aproximou-se, chamando um nome. Nada. Olhou de esguelha para fora, e notou uma pequena movimentação. Chamou novamente e surgiu uma pessoa, e ele fechou a porta. De repente, notou que não encontrava seu cão.
Como para responder seus pensamentos, ouviu um latido vindo lá de fora. Um latido que dizia "Não vai me deixar aqui, vai?"
O que era aquele pesadelo? Ele se perguntava, onde estavam os outros. Começou a berrar nomes, e responderam. Responderam um atrás do outro. Ele suava mais, tremia, e sentia-se fraco e oprimido.
Acordou. Estava no hospital. Estava berrando no hospital.
Estavam respondendo para ele e ele não entendia nada.

O doce gosto do chocolate no inverno.

A mulher bebericava de uma xícara na frente de uma lareira. O inverno tinha sido rigoroso esse ano, mas não havia faltado nada, e ela podia desfrutar de goles de café misturados com o produto do cacau.
A neve caía lá fora, e ela se sentiu sozinha por um momento, com um aperto no coração. Ela queria ver o mundo lá fora, talvez. Aproximou-se da janela, sentindo as garras finas do frio mais próximas conforme se afastava da lareira. A fumaça saía do recipiente, e conforme ela olhou pela janela, tanto sua respiração quanto a fumaça esfumaçaram o vidro. O vento era forte lá fora, e um galho pendia de sua árvore.
Ela virou-se e foi até a cozinha. Iria preparar mais uma xícara.

O circo chega à cidade

É época de festa. Um grande circo chegou à cidade e montou suas barracas. Caminhões cheios de animais chegam a cada dia, e logo o espetáculo começará.
A criança olha atenta pela janela do segundo andar. Seus olhos brilham cada vez que algo novo chega ao seu conhecimento. Qual será o tempo dessa criança? Décadas, séculos, milênios atrás?
Nem ela sabe. Ela olha pela janela porque gosta. E a janela e a casa nos dizem que deve ser atual o tempo, mas nada além disso. É tudo muito estranho para nós, que vemos tudo de fora.
Os animais correm soltos...
Os animais correm soltos.
Os animais correm soltos?
OS ANIMAIS CORREM SOLTOS!
Antes que ela possa gritar, um homem é pego por um leão na rua e massacrado. Ela vira os olhos antes de ver o resto, incapaz de pegar os detalhes de toda a crueldade animal. Grita por sua mãe, mas se lembra de que sua mãe tinha saído de casa havia pouco tempo, para ir em uma venda.
Ela se lembra de sua mãe.

Sunday, July 01, 2007

Friday, June 29, 2007

Feel Good / Bad

Feel good. Feel bad. All feelings at all will make you feel that.
It willl also make you think. No one is eternal. It is wrong, but is shaped like you
Suddenly you realize all you should already have known.
Ah, sympathy. Sympathy and devolution.
The denial of the self and the pleasure of no one.
How I wish I could turn back time and undo all the things I shouldn’t have done
All the times I changed, still I’m the same.
I should have been the same, so I could be another one today.

Would I be the same? I ask myself
I really shouldn’t be doing this
But past is past, I’m forgotten
And I searched for it. I wanted it.
Why can’t I forget you?
Why am I jealous even now, in the end of all?

Feeling of desperation. It will soon pass by like snow in a sunny mountain.
How I wish I could say to you all I cannot say.
It has always been this way

Deliver me now, I will be fine, although you really don’t care.
God, this is ending. This must be ending.

Tell me it is ending. I don’t deserve this much pain.
Do I?

(We all deserve pain. Pain is such a need for human beings
I mean, not always, but we deserve it
In a certain amount. Many people suffer so much, they end up crazy
And some people don’t suffer at all, and become dumb
You should check your bagage of smiles
Maybe you’ll find an yellow one at the bottom
It will serve for you for the rest of the day
Even if you don’t want to
It’s not just to release it all in those you love
They have nothing to do with it
Can you hold yourself up? I know you can
So slowly, step after step, you’ll understand
This’ all we need for a time

Yes, it is gone. There’s nothing else to do for you
You asked yourself and here it is
I’m here, though. I’m patient.
I’ll carry you up
I don’t know if you’ve realized
But I’m you
And you’re all you can trust in the end
Everybody go to somewhere else in the end

Eternity is lie in a promise
But it’s a comfortable lie
Or it is true, if you count the moment)

So many restless nights
So many sleepless times
I guess I’ve realized
Some things of all

All Words to Love II

Quantas palavras jogamos fora..

Quem nunca disse que sempre estaria lá, não importa o que acontecesse? Eu disse, e eu não menti quando eu disse. Mas foram palavras jogadas fora, talvez... Talvez não, talvez devessem ter sido ditas.

Mas as vezes, tudo que dizemos teremos de contradizer um momento. Como esse exemplo. Como querermos estar lá, mas sabendo que agora, não podemos. Que todo mundo tem sua média de sofrimento, e é aquela pessoa agora quem vai sofrer.

Talvez machuque mais na gente do que no outro, talvez não. Talvez a vida (talvez eu esteja usando ‘talvez’ demais nos meus textos) seja assim mesmo, mas que as vezes ter de dar um passo para trás parece machucar mais que levar um soco.

Talvez o tempo vai dizer se você aprendeu a lição direito (True Believer, Lillian Axe). Baby, em qualquer momento e qualquer lugar.

(Desculpe se eu não estiver lá)

Tuesday, June 19, 2007

3 Fases - Parte III

E tu! Diga mais o que tu sentes, pois a energia liberada se transforma em muitas coisas, mas a guardada se torna o Mal. E tu choras! Choras, porque é o melhor jeito de dizer quando não existem palavras para liberar tudo que reverbera. O choro é um mecanismo de defesa.

Pensa menos o que será, como ou quando e em alguns casos o por que. Sente mais os teus amores e os teus sonhos, e eu espero que os dois sejam o mesmo. E aprende a falar, mas aprende antes a sentir tuas palavras.

E se te derem algo, antes tiraram de si próprio. E lembra-te disso, e lembra-te também que a maioria das palavras rudes são direcionadas ou machucam quem não merece isso de nós. E que as vezes fazemos bem ao nosso inimigo, e que as vezes isso é ruim. Lembra-te que as vezes tentamos amar quem nunca amaremos, mas toda tentativa é valida. Falhar é permitido, e há amor no tentar.

E viaja aos lugares que nunca foi; e imagina aqueles que nunca irá, pois a saudade do desconhecido não é proibida, e chega até a ser motivadora. Não tem medo de caminhar sozinho por lugares desconhecidos às vezes, mas lembra de que riscos tem de ser medidos, e o que tu sofre os que te amam também sofrerão.

Não esquece os que te odeiam, e aprende com eles. Cuidado com os que, não bastando odiar, também amam; não tem tu somente cuidado consigo mesmo, mas com aqueles que também não sabem sobre você, por mais que você saiba sobre eles.

Cuidado com o ódio, porque como o amor ele é uma semente, e duras penas passará para conter qualquer dessas duas árvores. É impossível impedi-las germinar, então atenta aos ramos que se entrelaçam. A cada machadada em um dos galhos, é como uma em teu tronco.

Cuidado com tudo que lê. Mais cuidado ainda com o que tu pensa, e principalmente lembra-te de ter cuidado quando pensar. Pois o pensamento é força, e quanto mais força, maior será teu Bem; e mais catastrófico será teu Mal.

E tu me lembras disso tudo, quando minha doença aproximar do fim. Porque a ti eu escrevo, mas mais difícil é fazer; então vive, e aproveita o que pode.

Sunday, June 10, 2007

Ócio

Take a bow.

Ah, noite de ócio. Falando aqui com amiga minha, devo apresentá-la a vocês, Fabiana se chama, e havia uma série de trocadilhos com esse nome que eram realmente podres. Perguntei a ela o que fazer na noite, e ela diz “escreve”.

E era o que tinha em mente.

Mas...

Escrever sobre o que?

A resposta vem de tão querida supracitada amiga: escreva sobre o ócio! Numa noite sem nada a fazer, nada mais que fazer um ode a tamanha Arte que engloba a tudo.

Então agradeço a ti, Fabiana, pela idéia. Rendeu-me mais um post nesse blog de tamanha visualização semanal. As histórias correriam normalmente pela minha cabeça, mas não hoje, então um grande Urra ao ócio, nosso querido.

(19)

Friday, June 01, 2007

"Você me conhece"

Eis a frase de todos os tempos!
Sinceramente, não existe frase mais quebrante a ponto de fazer alguém querer concordar com você. "Você me conhece", se for espalhada, provavelmente chegará ao título de "Locução mais utilizada de todos os tempos". É simplesmente toda a nossa esquiva contra alguém que possa querer nos criticar naqueles momentos que não queremos ser criticados!

É a justificativa perfeita! "Puta cara, a mina me xifrou, mordeu, cagou e eu fui atrás..." "Porra cara, para com isso" - e a pessoa é cortada por um sonoro "Po cara, você me conhece, sabe como eu sou".. Pronto. Sem mais palavras a contrariar.

Esse é apenas um dos modos. Tem outros como "Aí eu tava sofrendo de tudo, mas você me conhece e - pimba, chutei todo mundo". Pronto. Qualquer chance de você criticar a pessoa pelo que ela estava fazendo cai terra abaixo. Ou até mesmo de dizer alguma palavra para ela mudar. Não. Simplesmente.

É a expressão do 'sou como sou, por favor, só preciso de alguém que ouça'. É utilizada por várias pessoas em todos os momentos da vida, e nos tira tanto a força porque nos sentimos com 'poder'. A frase em si já nos dá a impressão de que sabemos tnato da outra pessoa que podemos prever seus passos, e existe poder maior que esse? Nos sentimos donos de outro, como se fôssemos maiores.

Por isso mesmo, lembre-se sempre de, ao ouvir um 'você me conhece', cale a merda da boca e escute!

Dor

Primeiro você se pergunta por que você insiste. Acho que, pelo menos para mim, negócios inacabados não devem ficar inacabados, e as vezes isso me impede de ver o 'Fim'.
Essa é a primeira das grandes questões, a de Por Que Os Homens Gostam Da Dor. Sim, porque o humano gosta da dor. Talvez seja aquele conforto em sentir que não pode chegar mais fundo, e por isso não precisa se preocupar em errar.
Pois é, essa é a primeira questão, novamente afirmando isso com veemência. A idéia de impossibilidade... Tudo
A segunda grande questão é o superamento, que também faz parte da questão acima. Porque, nessa segunda fase, TUDO faz você querer voltar à fase 1. Por que? Porque você tá subindo o buraco que desceu, e isso requer MUITO esforço e vontade, afinal, a cada meio metro caem pedras na sua cabeça e voce nao aguenta mais a textura de cocô que tem a parede molhada. Aliás, cheira a merda, também.
(Onde mesmo você foi cair?)
A terceira grande questão é se acostumar à luz e ao vento lá de fora. Conheço muita gente que, passada as duas partes mais difíceis do trabalho, chegou lá fora e se jogou de novo para dentro, com os olhos ardendo e os músculos tremendo de frio. Chegou lá no fundo e gritou que estava acabado, de novo no fim da linha. Bom, ele sobreviveu, mas demorou muito mais pra sair de lá.
Incautos são aqueles que pensam que, depois de enfrentar demônios de 10 metros, não podem ter alergia por causa de uma picada de formiga. Aliás, o ego inflado deve ajudar nisso. Enfrentando grandes problemas, pensamos por um momento que somos imunes aos pequenos. Ledo engano! É nisso que aquelas coisinhas insignificantes se esgueiram por entre nossas defesas e nos derrubam novamente, naquela velha lenga-lenga natural.
Por isso, quando vocÊ estiver mal, não se lembre desse texto.

Saturday, May 12, 2007

Hell On Earth

Faz tempo que não posto aqui, mas chegou a necessidade de fazer uma coisa que eu falo que vou fazer todo ano mas nunca faço, e acabo cometendo novamente os erros: o rodeio é um lixo!
Ontem, porém, foi com certeza o pior rodeio de todos. 6 horas no transito! 6 HORAS!!! Uma filhadaputagem dos caras do rodeio, que NUNCA que tinha lugar pro tanto de gente que eles venderam o ingresso. O negócio tava impossível de andar. Não sei quantos acidentes aconteceram, mas devem ter sido muitos. Carros atravessando pelo acostamento, pela grama, pela grama (2)... E as pessoas das vans saindo para ir a pé para o 'show' de dois caras que não sabem escrever músicas e que, em pouco tempo, ninguém mais vai lembrar.
Final: Mais uma merda de rodeio

Sunday, January 21, 2007

Beatrice

Ele não podia descrever sua alegria ao perceber que estava de volta aonde ansiava. Tinha encontrado seu lar, ele tinha certeza.

As grades do recinto de lagos ainda eram as mesmas. Avistou uma pessoa entre as dezenas que havia ali, há muito não encontrada, e perguntou pela outra. Aonde estava Beatriz?

A pessoa indicou para um canto.

A garota havia mudado.


Os cabelos eram antes loiros, ele se lembrava. Agora, eram tanto loiros quanto negros, divido em diversas mechas. Ele olhou alegre e a pessoa pareceu dar um pequeno sorriso.

- Hei, sou eu! John!

A garota olhou nos olhos dele, indiferente. Continuou silenciosa. A um pequeno gesto de cabeça, um olhar, ele beijou-a, errando por pouco; ela, porém, riu com isso e fê-lo sentar-se ao seu lado. Era um ‘sim, você tem razão’.

Havia tanto tempo, e ela estava mudada. Por um momento, uma pequena sombra caiu sobre eles, e os cabelos dela ficaram negros; as olheiras se sobressaltaram, e ela continuou linda, mas com um ar mórbido de quem têm enfrentado muito há muito. O homem continuou ao lado dela, abraçados, e ele deu um beijo nela. Suas mãos molhadas subiram pelas costas da garota

(O beijo acabou e ele disse: “Há tanto tempo penso em você... sinto sua falta”, e ela respondeu, “podemos ficar quietos, por favor?”. Ele assentiu e)

Suas mãos desceram pelas costas, até que a garota disse.

- Tira as mãos da minha bunda?

Ele deu um pequeno sorriso e subiu as mãos pelas costas de novo.

Quando ele acordou, percebeu que aquele não era mesmo seu lar; também não era seu lar aonde se encontrava.

Thursday, January 04, 2007

3 Fases - Parte II

II – O Rei


E então ele permanece, agora, defronte a mim: ele me encara, a vermelhidão refletida no meu rosto.

Olho com indiferença. É assim que você é então, Grande Rei?

Ele não responde. Apenas me encara.

O medo saiu das rédeas, e eu novamente tenho controle. Eu finalmente entendi que o inferno está mais nos olhos que no cérebro.

(Entenda o significado de paixão e amor)

As palavras ressoam em minha mente. Eu estou confiante. O rei... vai cair. Logo você cairá, Rei Rubro – e eu estarei logo em sua frente, para pisar em você.

(Uma espiral de palavras se juntam num furacão; o olho se forma bem em nós)

RUBRO – 19 – OLHO – ANTES – DEPOIS – NEVEREVERLAND – CIÊNCIA (mas não para eles, e sim para você)

Quero o início. De uma nova era.

Monday, January 01, 2007

3 Fases - Parte I

I - 2007

...
e se eu fosse dizer algo, diria para fazer tudo com amor. Não importa se você seja religioso ou não. Se é, pense em Jesus, Krishna, Jeova, Budha, quem quer que seja, para fazer o que quer que seja. São apenas avatares. Não importa em quem você acredite, importa o quanto de amor você extrai disso e põe no que faz.

Faça tudo com amor. Você pode não conseguir muito dinheiro, mas estou quase certo de que vai conseguir felicidade. Pense em quem você ama. Faça as suas coisas por elas, com o maior cuidado e amor.

Não busque a felicidade. A felicidade chega quando você consegue amar. Não significa que não deve ter momentos de ódio; libere-os! Apenas não faça o suficiente para que reverbere e acabe chegando a outra pessoa; assim o ciclo se eterniza.

Para ser feliz, apenas deixe a vida deixar-te feliz. Cuide do teu jardim, como diriam. As rosas bonitas são somente aquelas mais saudáveis, infelizmente no humano não temos o mesmo. No humano, a beleza é nada mais que um acidente do nascimento. Por isso, saiba distinguir a paixão do amor. São coisas totalmente diferentes.

Se um dia teu jardim estiver florido, começarão talvez a chegar as borboletas. Junto com as borboletas chegarão as larvas, minhocas, e tudo. Não pense que isso é um problema! Não pense nisso como algo a se resolver; problemas serão quando as plantas murcharem porque faltou água e cuidados. Você só conseguirá ‘resolver’ o ‘problema’ das minhocas e larvas matando, indiretamente, as próprias plantas. É como buscar alívio dos problemas nas drogas; com o tempo, você se destrói junto com seus problemas. São nesses momentos que você percebe que as larvas e as minhocas são problemas sem solução para quem quer ter um jardim; mas acontece que problemas sem solução não existem! Se não tem solução, não é um problema. Olhe direito, você perceberá que aquilo que queria matar somente embeleza ainda mais.

Wednesday, December 27, 2006

Livre

eu estou encontrando respostas
finalmente
sabe, ja disse isso muitas vezes...
mas nao sei, eu vou me libertar... e para nota posterior, ISSO NAO É FALSO.
isso é pra mim só rs.
Preciso lembrar. Nada é tão difícil.
A cura é possível. Sempre.
Eu estou bem, muito bem. Eu estou livre. Nesse momento eu sou livre!

The storm isn't over Então ergam seus guarda chuvas de plástico, ela vai passar

Tuesday, December 19, 2006

(19)

I - A loucura das multidões II


(Sob o céu enevoado caem as regras do mundo. Metafísico acontece, químico não existe, teorias sobre teorias que me cansam ao olhar. Ligue os pontos todos brincam, com uma caneta sem tinta adivinham o desenho, que sua cabeça imaginam. Não não minha amiga, você acertou poucas questões. A tua luz não mais agiganta, mas ainda sim a do sol. Nunca deseje se vingar... Nunca penda para um lado... São poucas emoções que as entende quem lê, mas ninguém lê. Logo, ninguém as entende.)
O título deveria iniciar a partir do último momento, que foi o texto do ano passado (palavras desconexas por puro sentido vital). Logo serão trocados os titulos, e essa loucura das multidões acarretará no seu contraposto realidade utópica. São todos... coisas.
Gritem, gritem

II

Novamente, 19. O que poderia eu fazer? As rédeas caem. Perco o controle da situação.

Há tanto tempo eu não o possuo.

Ah, a dor. Lateja há muito, reverberante dentro do meu ser. Me pergunto o que eu deveria fazer. O maior problema de um problema é quando ele tem solução. Porque, se ele não tem, ele não é um problema.

III


Na simples calma queimamente
Dum trago calmante
Queima a alma calmamente
Queima a dor sentida ante
No avio silencioso
Não mais dor, morra perante
Feitas no amor ocioso
Revelações queimantes

Queimantemente frio
O suficiente para cair
Em brasa e morrer de dor
No sangue um navio
Latente meu ardor
Não aguento mais ir
E cair no teu arpão
Destruo com um silvo
Toda a embarcação

Ferido me afogando
No último mar de lava se esfriando
Enregelando a queima forte dentro de mim
Eu não quero andar, nem sair
Porque eu não posso, porque dói
Porque isso é o que eu posso aguentar

A ira de deus sobre mim.
A ira do inferno abaixo
Aqui estou eu
Me enfrentem
Sem medo de morrer
Já estou morto

(26/09/2006)

IV

A história dita as regras. São cinco, 19 vezes. Crendo que eu poderia mudar qualquer coisa, fui em frente. Me enganei, me enganei.
Primeiro você assalta a valsa. Depois, você a dança. E por fim, é vaiado ou aplaudido. Não que isso signifique que alguém na platéia entenda qualquer coisa sobre sua dança.

V

"E é por isso que nós enfrentaremos o tempo... Porque sempre que um estiver em uma gaiola, o destino do outro estará traçado."
(O homem, para Júlia.)

A criança cresce, os velhos morrem
A criança vai morrer
Porque tudo que vive nasceu pra morrer
A lei da natureza
O mais forte vai sobreviver
O fraco deve morrer

Tuesday, November 21, 2006

Paradoxos da realidade

Saber se a decisão é a certa pode levar tempo ou não, depende da decisão. Depois dessa ser tomada, ela sempre parece errada. Isso se deve ao fato de que, quando estamos tomando uma decisão, estamos pressionados por essa necessidade da escolha e temos que nos direcionar. Após isso, o ponto de vista sob o qual julgamos o fato é muito mais leve e menos desesperador, logo mudando muitas vezes o modo de ver o antigo problema.
Quando trabalhamos com paradoxos, então, o caso se agrava, visto que a pressão de escolher entre duas coisas importantes é assassina.
Ah, como eu gostaria de poder dar um exemplo... Explicar como essa situação é agravante e mortal.
Ah, como eu gostaria...

Saturday, November 11, 2006

Ilha

Um título retirado do nada, feito para o nada, destinado ao nada. Incrível como ultimamente meu estado de espírito tem estado "inclinado para o ruim" mesmo quando eu estou, como agora, relativamente bem. É uma força puxando pra baixo... Os problemas surgem e vão, mas eu me sinto ridículo por estar ainda nisso... Ainda... Ah, no final nao posso lembrar de nada, porque tudo se lembra... Esse é o desabafo que ninguém lera, embora eu vá por isso no nick. Ninguém se importa... Talvez se importem, mas talvez será tarde demais... As pessoas são belas... Mas, no final, a massa é horrorosa.

(Ontem o blog fez 1 ano)